A potência do cinema nacional no Festival 10 Olhares

por Rodrigo Castro
22/04/2021
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Eu me lembro do primeiro filme que vi no cinema, já contei essa experiência neste vídeo:

E eu não me lembro do primeiro filme brasileiro que vi no cinema, porque quando abri meus olhos pra nossa cinematografia morava numa cidade do interior de São Paulo que sequer tinha uma sala de cinema. Daí, quando finalmente abriram uma (na verdade duas), dá pra imaginar o tipo de lançamento que rolava por lá.

Na adolescência, meu gosto e meu olhar foi se moldando a partir dos DVDs que alugava. Ainda em quantidade muito menor que qualquer outro apaís, o Brasil começou a adentrar com mais perenidade meu universo cinematográfico. Me lembro de como O Céu de Suely (2006) me marcou profundamente – posso afirmar que ele fundou um novo marco zero na minha relação de amor com o cinema braisileiro.

Hoje, cinema nacional, pra mim, é muito mais que arte. É questão de soberania. E é questão de acessar os mais diversos afetos, sensibilidades, olhares e inquietações de cineastas espetaculares espalhadas/os por este país.

Nos últimos anos, com o fortalecimento das políticas públicas de produção e exibição (em cinemas ou festivais), nossa produção cinematográfica atingiu um nível ainda nunca experimentado. Junto à excelência estética diversa veio o reconhecimento mundo afora e também por aqui, com o surgimento de diversos festivais dedicados a vários tipos de filmes.

E é justamente esse período, de amadurecimento da Ancine e da Lei do Audiovisual e da cota de tela, que o Festival Cinema Brasileiro: Anos 2010, 10 Olhares resgata, apresentando um panorama magnífico de filmes sobre um momento pulsante e vibrante de nosso cinema, até o dia 30 de abril.

O 10 Olhares é idealizado por Eduardo Valente, e contou com a participação de 10 curadores diferentes que escolheram longas e curtas que marcaram suas vidas e o cinema nacional: CachoeiraDoc, Carol Almeida, Cleber Eduardo, Erly Vieira Jr., Heitor Augusto, Janaína Oliveira, Kênia Freitas, Leonardo Bonfim, Pedro Azevedo e Rafael Parrode.

Cada uma dessas pessoas criou mini-programas que, pra nossa sorte, estão disponíveis gratuitamente através do Belas Artes à La Carte ou do site oficial do 10 Olhares. Ah, sim! Pra melhorar ainda mais a experiência, expandindo os filmes e seus conjuntos em diálogos e críticas, tem o catálogo lindíssimo do Festival, disponível para download gratuito, e as conversas da equipe curatorial.

Viva o cinema nacional!

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