Crítica: Milk (4×4), de The Handmaid’s Tale

por Bia Amaral
17/05/2021
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Em Milk, 4º episódio da 4ª temporada de The Handmaid’s Tale, é muito interessante acompanhar as três narrativas paralelas acontecendo. Existe um número significativo de personagens e diferentes núcleos na série. Então, é comum nos roteiros o foco em personagens e núcleos específicos em determinados episódios. Esse foi o caso de Milk, que acompanha a fuga de June e Janine, mostra um flashback da vida anterior de Janine, além dos desdobramentos da vida de Rita no Canadá.

Ver June e Janine correndo com aquelas roupas enormes, pesadas e chamativas de Aia é muito estranho, provoca ansiedade na espectadora aqui.

Já tão distante da história que originou a série, ainda é perceptível a genialidade da invenção de Margaret Atwood. As roupas vermelhas foram pensadas em Gilead para dificultar possíveis fugas das Aias, para que elas fossem vistas de longe. Eu estava torcendo para elas arrancarem essas roupas opressivas e saírem correndo com mais facilidade. Mas e o frio?

E por falar em frio, June e Janine pulando em um caminhão tanque cheio de leite (daí o nome do episódio), isso foi inesperado! Além dos muitos significados do leite, ligados à nutrição, ao renascimento, provavelmente este é um item de muito valor para Gilead, e foi simplesmente jogado fora por June.

O flashback de Janine é a outra narrativa muito significativa e traz um ponto extremamente relevante a The Handmaid’s Tale. A perda de direitos reprodutivos das mulheres está na raiz desta obra. O fato de mostrarem uma funcionária da suposta clínica de aborto julgando e mentindo para a personagem aponta os sinais da construção de Gilead. O tema do aborto é importante demais para a vida das mulheres e a série trata do assunto com muita sensibilidade em Milk. A médica representada ali é um alento em meio a tantos casos de negacionismo que temos presenciado.

A terceira linha narrativa acontece com a Rita no Canadá cortando laços com a família Waterford. Embora a princípio tenha sido desesperador ver a ex-Martha sendo dócil com Serena, foi reconfortante vê-la mandando a real para Fred e deixando bem claro que não são amigos.

Te amo, Rita, comendo delivery de sushi!

Durante o episódio, é intrigante pensar em como June e Janine vão sair do trem em segurança. O recurso utilizado, os rebeldes chegando para saquear a carga, é uma ótima ideia. Já o líder daquela célula, Steven, dizendo que é inacreditável haver mulheres escravizadas e sendo estupradas nos Estados Unidos da América e logo depois manifestando a intenção de abusar sexualmente de uma das duas recém chegadas é no mínimo incoerente. Parece uma tentativa de igualar movimentos revolucionários ao sistema que oprime a população, em especial as mulheres. No fim, é tudo muito contraditório, o país que supostamente no passado era livre, mas teve a escravidão como base, sendo celebrado por um abusador e ainda por cima as ex-Aias podendo ficar porque Janine transou com ele.

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