Crítica: Pigs (4×1), de The Handmaid’s Tale

por Bia Amaral
01/05/2021
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A quarta temporada de The Handmaid’s Tale começa exatamente do ponto que a história havia parado. I Say a Little Prayer, música que ganhou vida na voz de Aretha Franklin, embala as primeiras cenas do episódio 1 com meia dúzia de Aias salvando uma June baleada. Só um milagre para tirá-las vivas dali. 

Em Pigs, temos de volta personagens familiares: Tia Lydia, Serena e Fred Waterford, Mark Tuello,Moira, Emily, Brianna, Alma, Janine e, obviamente, June Osborne. E temos também a esperada estreia de Mckenna Grace como Sra Keyes, uma esposa adolescente que já de começo dá calafrios.

A atitude da Esposa adolescente é altamente contrastante com a sua imagem frágil. Durante o primeiro episódio, ela é a dona daquela fazenda e deixa claro que almeja fazer justiça contra Gilead e seus agentes. Naquela casa não existe Aia. Logo descobrimos o sadismo do velho Comandante Keyes, que leva homens para estuprar a sua Esposa. O sentimento de ódio que a jovem nutre pelo sistema de Gilead é mais do que justificado, culminando na morte de um dos Guardiões que participava das atrocidades contra ela.

Pigs traz um certo afeto quando vemos as Aias fugitivas trabalhando como Marthas, vivendo em comunidade, dançando, lendo. Até o porquinho amigo de Janine tem nome de um personagem da literatura, Mr. Darcy de Orgulho e Preconceito, lembrando de um passado não muito distante, porém extremamente diferente. A vida comunal representada ali é o oposto do que é a vida comum em Gilead.

Pra começar, ali, ainda que numa casa de Comandante, as mulheres têm domínio das ações. Há um certo apelo ao conhecimento prático de Marthas acumulados por inúmeras gerações, curando June a partir da própria natureza. Vale a pena dizer que sua difícil recuperação é um ponto positivo do episódio 1. Ela é uma fugitiva, baleada, que não tem acesso a um tratamento médico, é lógico que a cura vem com custo.

A partilha das tarefas de trabalho reconecta as mulheres consigo mesmas e com o território. Uma nova possibilidade de viver se apresenta a elas – tanto que Alma diz querer aproveitar essa oportunidade enquanto puder, em vez de ficar eternamente correndo por aí. 

No Canadá, chega a notícia para Serena Joy e Fred Waterford do avião com 86 crianças resgatadas de Gilead e a reação de Waterford é um prenúncio do que vem por aí na temporada:

“Isso vai começar uma guerra”

diz o ex-Comandante

O fim do primeiro episódio entrega um gosto de vingança, a Sra Keyes mata com as próprias mãos um de seus abusadores. Ela recebe da sua inspiradora June uma validação. Não é à toa a escolha – nunca é em The Handmaid’s Tale – de (You Make Me Feel Like) A Natural Woman, outro hino de Aretha Fraklin, sobre uma mulher sendo apreciada por seu amado. A interpretação e a convicção na voz de Aretha deu outros significados pra essa música que passou a ser considerada uma letra sobre empoderamento e amor-próprio. Keyes é apreciada, se sente agora uma mulher, por outro lado, June retoma o seu lugar de mãe. 

“- Eu também te amo, banana.”

diz June, em uma clara referência à sua filha Hannah

Veja também nossa análise de Pigs no YouTube:

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