Crítica: Vows (4×6) de The Handmaid’s Tale

por Bia Amaral
21/05/2021
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Não sabia se eu ia viver para ver a June fora de Gilead. Agora eu quero saber onde está Janine! O episódio 6 da 4ª temporada de The Handmaid’s Tale ainda não nos deu essa resposta, mas deu um grande passo na história de June.

Vows constrói ao longo de toda sua história uma tensão sobre o sucesso da missão de Moira de resgatar June em Chicago e levá-la para o Canadá. Como espectadora, meus pensamentos passavam por “ih, ela não vai entrar no barco”, “ai, ela vai voltar pra Gilead, não é possível” e “agoraa vão pegar a June”. Mas sempre pensando que passou da hora de ela lutar de outra maneira contra a teocracia cristã que tomou conta dos Estados Unidos da América.

O episódio 6 é extremamente focado na construção social da maternidade. O peso e a culpa que June carrega por, na cabeça dela, deixar a filha para trás são característicos de como é a experiência da maternidade na nossa sociedade.

Vows é um nome muito sensível para o episódio, já que a princípio ele se relaciona aos votos de lealdade e cumplicidade feitos em um casamento. June sente que traiu a confiança de Luke chegando sem Hannah no Canadá. O nome também pode ser entendido como o voto de cuidado que uma mãe faz para a filha.

Os flashbacks do episódio reconstroem mais do relacionamento de June e Luke pré-Gilead. Eles dão ferramentas para que a gente entenda um pouco mais a culpa que June sentia antes mesmo de ser mãe. “E se eu não conseguir engravidar? Ele quer tanto um filho.” Por isso, é tão significativa a presença de Moira ao logo deste episódio. Em muitos momentos, ela trás June para a realidade, inclusive sobre ela ser humana, fato que o conceito de maternidade nunca considera.

Um ponto alto de Vows é a maneira como retrata os conflitos éticos vividos por ajudas humanitárias. Como salvar um e deixar de salvar outros? Não é fácil ver pessoas em extrema situação de vulnerabilidade e ter que fazer a escolha de deixar o local em caso de perigo. Cumprir as regras de ajudar e sair ou comprometer a missão e nunca mais ajudar aquelas pessoas.

A pobi da Oona, senhor!

Moira deixa a situação dos companheiros do CERA (Commission for Emergency Relief Aid) bem complicada. Mas quem não faria o mesmo tendo a oportunidade de salvar a melhor amiga? (Acho que uma personagem de série que não está acostumada a trabalhar na ajuda humanitária faria, né?) O que é chocante nesse episódio é a discussão sobre o que fazer com June – entregar ou infiltrar? – sendo que bastava dar um colete e imprimir uma nova identidade.

Neste episódio, vale um destaque para a sintonia de Elisabeth Moss e Samira Wiley! Desde o momento em que elas estão nos escombros de guerra, nos flashbacks, até o conflito de June querendo fugir de bote, tudo passa uma extrema energia de amizade. É lindo demais de assistir.

Há quem diga que os reencontros de Moira &June e Luke & June foram um tanto quanto frios. Mas tinha acabado de explodir uma bomba na frente da June e ela estava com uma concussão quando encontrou Moira pela primeira vez, então é compreensível. Quando ela finalmente percebe que é sua melhor amiga ali no caminhão, é uma cena muito emocionante. Eu chorei o episódio 6 inteiro.

Sobre Luke, existe um peso muito grande para June em chegar no Canadá sem Hannah. A primeira coisa que ela fala ao encontrar o (ex?) marido é “me desculpe”. Então, não seria muito verossímil que ela chegasse com grandes demonstrações de romantismo. A personagem está machucada e é possível entender o seu ponto de vista que acompanhamos há quatro temporadas. O que não dá pra entender é o romantismo com Nick.

É isso! June agora está em território canadense. Esperamos muito tempo por esta virada e que bom que a série nos presenteou com esse momento.

Curtiu? Então veja o vídeo sobre Vows no nosso canal e as teorias sobre o futuro de June em The Handmaid’s Tale:

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