O cinema das mulheres árabes

por Rodrigo Castro
19/05/2021
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No momento em que este texto é postado os olhos do Ocidente se voltam – mais uma vez, e nem sempre da forma mais ética e correta – ao massacre perpretado por Israel na Palestina. Mais uma vez a mídia exibe, como num videogame, ou num filme, mísseis e mais mísseis das Forças de Defesa de Israel (IDF) aniquilando vidas palestinas e botando prédios, casas, escolas e pequenos negócios abaixo.

É neste contexto que a 2ª Mostra Árabe de Cinema Feminino é exibida no Brasil. Organizada em constelações, programas semanais com uma variedade de obras, cada estrela-filme é um sopro de vida, de arte e resistência.

A Mostra segue até o dia 27 de junho, e a cada semana mudam os filmes e as constelações, que começa com a Cão Maior, evocando uma estrela maior que o próprio Sol. São filmes que fogem das imagens que nos acostumamos a assistir em telejornais ou até mesmo filmes que exploram a miséria e a aridez de países como Líbano, Síria e Egito.

Os mais de 40 filmes trazem olhares com novas formas, novas linguagens, novas narrativas e novos assuntos. É uma potência infinita de experiências provocantes a partir das sensibilidades de cineastas que ainda hoje são apagadas da historiografia oficial do cinema.

E a Palestina ganhou um lugar especial já nesta semana de estreia.

Foco Larissa Sansour

Quatro filmes de Larissa Sansour, cineasta e artista palestina, estão em cartaz num recorte que leva seu nome: Um êxodo espacial (2008), In vitro (2019), No futuro, eles comiam da melhor porcelana (2015) e Patrimônio nacional (2012).

Seus filmes trazem robustas reflexões sobre memória, tempo, exílio, arqueologia e construção de narrativas. Mas dizer que podemos absorver apenas isso de seus filmes é reduzi-los a algo menor que eles são. Faz parte de um desejo de se debruçar mais atentamente à sua obra, trazendo reflexões que serão desdobradas tanto no ensaio sobre esses filmes

Mostra de Cinema Árabe Feminino

Outros olhares

Quatro outros filmes compõem Cão Maior, a constelação que estreia a Mostra. O experimental Um filme sobre um círculo, da egípcia Omnia Seham Sabry, é uma experiência sensorial sobre o cotidiano através da repetição de ciclos que o próprio título evoca, trazendo imagens e sons que fogem do que é cotidianamente retratado em nossa mídia.

Do Egito também vem Antes que eu me esqueça, de Mariam Mekiwi. Uma ficção científica com ares distópicos em que os humanos têm que se adaptar a viver como anfíbios após uma catástrofe ambiental.

A crise do lixo em Beirute, no Líbano, em 2015, é o pano de fundo – literal e metafórico – de Submarine, de Mounia Akl. Enquanto lidam com o lixo que se acumula em proporções catastróficas, as personagens precisam tomar decisões que afetarão suas vidas para sempre.

E por fim, também do Líbano é o último filme desta primeira constelação, Tanto acima, quanto abaixo, Sarah Francis, que também explora novas sensorialidades através de um futuro imaginado (mas nem tão distante assim) em que a Lua é um personagem significativo.

Toda a programação é gratuita e online. Pra assistir aos filmes é só acessar o site oficial da Mostra: www.cinemaarabefeminino.com

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