Crítica: Nightshade (4×2) de The Handmaid’s Tale

por Bia Amaral
03/05/2021
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Em Nightshade, June embarca em mais uma aventura: envenenar os comandantes antes que ela e suas amigas fujam da fazenda dos Keyes para os Murrows. Em busca de informações sobre a movimentação, June conhece Daisy, uma trabalhadora em um outro bordel nos moldes do Jezebels.

O nome do episódio Nightshade vem de uma família de plantas, em latim Solanaceae. Conhecida no Brasil como beladona, uma planta pertencente a esta família é usada na preparação de alguns medicamentos naturais e é extremamente tóxica. Parece o tipo de conhecimento que as Marthas compartilhariam. As plantas da família Solanaceae são parecidas com a batata e têm geralmente frutos pretos ou vermelhos venenosos. Lembra a plantinha da Sra. Keyes:

Olha as beladonas aí!

A fama de June realmente viajou por Gilead e as suas ações, o assassinato do Winslow, o avião com crianças, etc. motivaram rebeliões contra Gilead. Apesar disso, por muitas vezes, o complexo de salvadora de June é incômodo, ela toma atitudes impulsivas e descuidadas e não morre apenas por ser a protagonista.

Mesmo que tenha aparecido por pouco tempo em tela, Daisy é uma personagem interessante. É introduzida de maneira misteriosa e traz algumas informações novas. Em meio ao plano de envenenar os comandantes, ela demonstra medo, mas vai com medo mesmo.

 “Melhor morrer em pé que viver ajoelhado”

A frase dita por Daisy nesse episódio é histórica e virou um bordão. Ela saiu da boca do herói mexicano Emiliano Zapata. Ele foi líder da Revolução Mexicana de 1910 contra a ditadura de Porfírio Díaz.

O movimento zapatista inclusive ainda hoje sobrevive e as mulheres são parte fundamental de sua manutenção, mantendo vivo o ideal socialista calcado na cultura indígena mexicana.

É impressionante como a cultura de Gilead se entranha nas pessoas. Mesmo fora de lá, algumas continuam falando as mesmas expressões, mantendo a mesma postura submissa exigida pelo governo teocrático.

Uma sacada muito esperta da série, que na 3ª temporada mostrou a dificuldade de adaptação para a Emily no Candá,  foi entrar em Nightshade na questão das crianças que formaram sua personalidade e moldaram seus costumes em Gilead e agora estão em outro lugar completamente diferente. Como sentem falta de toda rotina, dos “pais”, da Martha, da comida e por aí vai. Foi também simbólico colocarem um garoto nesse papel, da criança que está chateada no Canadá, já que a tendência é que os garotos se tornem Comandantes, as pessoas mais privilegiadas de Gilead.

Ainda no Canadá, Moira está cansada de lidar com as consequências das escolhas de June e fala nesse episódio sobre a culpa que quem conseguiu sair de Gilead sente. 

Serena grávida. Quem poderia prever? Quando aconteceu? O que vai sair disso? Não pode ser coisa boa.

O fim chocante do episódio, mas um pouco previsível, traz o reencontro de June e Nick, que supostamente está fazendo de tudo para mantê-la viva.

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